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Esclarecimento sobre matéria do jornal O Globo

Com relação à matéria publicada no domingo (31) pelo jornal O Globo, os Correios esclarecem que empresa não vive qualquer tipo de crise. Pelo contrário, a estatal brasileira é hoje um dos poucos operadores postais públicos do mundo que registra resultados positivos ao mesmo tempo em que mantém serviços acessíveis à população.

Não há queda vertiginosa no lucro. Considerando os valores do gráfico publicado pelo próprio jornal, vemos que entre 2011 e 2014 o lucro médio dos Correios foi de R$ 580 milhões, ou seja, superior à média de 456 milhões de lucro do período 2001/2002.

Os números provam a melhoria nas contas da estatal: nos últimos cinco anos, os Correios registraram aumento de 32% na receita de vendas e de 33% na receita total — o equivalente a um adicional médio anual de R$ 1 bilhão na receita de vendas.

Só em 2014, a receita de vendas cresceu 8,4 %, passando de R$ 15,4 bilhões em 2013 para R$ 16,6 bilhões; a receita total cresceu 6,2%, passando de R$ 16,6 bilhões para R$ 17,7 bilhões e a base de clientes com contrato foi ampliada em 8,6%.

Os fatos de 2005 citados pela matéria foram objeto de apuração interna, que resultou em mais de 30 demissões por justa causa. Desde 2011, a estatal possui um novo estatuto que, ao contrário do que diz o jornal, estabeleceu normas para nomeações e dotou a empresa de práticas mais modernas de gestão corporativa, controle e transparência.

A prova concreta da melhoria da gestão foi propositalmente minimizada pelo Globo: o balanço 2014 foi aprovado sem qualquer ressalva pela auditoria externa independente, quando chegou a ter 12 ressalvas em 2010. Qualquer jornalista que trabalhe com o mercado financeiro sabe que 12 ressalvas significam desvalorização.

Certamente, caso os Correios estivessem em situação contrária, com um balanço saindo de zero para 12 ressalvas, haveria manchete no jornal O Globo. Já o fato de a estatal tornar-se saudável merece apenas uma linha.

O Globo mente ao induzir a população a acreditar que os diretores regionais da empresa são nomeados conforme critérios políticos. Todos os diretores regionais possuem longa carreira na estatal, muitos deles com mais de 30 anos de serviços prestados.

Não houve ilegalidade na participação de representantes dos Correios em eventos de campanha em 2014, sendo que os fatos foram inclusive investigados, com colaboração da empresa, sem que qualquer irregularidade fosse comprovada. Na reunião ocorrida em Minas Gerais, citada pelo jornal, ocorreram pronunciamentos de representantes dos Correios ressaltando que as atividades não relacionadas à empresa deveriam ser desenvolvidas fora do horário de trabalho, sem uso de recursos públicos e de acordo com a legislação:http://youtu.be/6GKDI8BPDjk e http://youtu.be/CytPORFb9X4.

Por fim, lamentamos a postura do jornal, que omitiu as informações prontamente prestadas pelos Correios, em uma clara afronta à principal regra do bom jornalismo, o “outro lado”.

Dessa forma, para que a população tenha acesso à verdade, tornamos públicas as perguntas enviadas pelo jornalista e as respostas da assessoria de imprensa dos Correios:

PERGUNTA: A que se deve a redução do lucro dos Correios em 2014? Se não tivesse sido feito o desprovisionamento de uma dívida de R$ 1,08 bilhão da ECT com o Postalis, o resultado da empresa teria sido um prejuízo?

RESPOSTA: A redução do lucro deve-se principalmente a 4 fatores: 1) provisionamento, no exercício, de cerca de R$ 1 bilhão para benefício pós emprego (saúde e previdência), o que não era feito nos balanços anteriores; 2) desembolso de R$ 235 milhões para o plano de demissão incentivada; 3) não realinhamento das tarifas postais — que, caso tivesse ocorrido, renderia R$ 482 milhões de acréscimo na receita; 4) o lucro registrado em anos anteriores derivava, principalmente, do resultado de investimentos financeiros (nos últimos anos, houve queda de rendimentos de aplicações e os Correios passaram a usar os valores investidos em investimentos em infraestrutura, que somaram quase R$ 2 bilhões desde 2011).

Assim, o desprovisionamento de R$ 1,08 bilhão não é o fator de principal impacto no resultado.

A verdade é que, ao longo dos últimos cinco anos, os Correios apresentaram expansão sustentável de seus negócios, com aumento de 32% na receita de vendas e de 33% na receita total — o equivalente a um adicional médio anual de R$ 1 bilhão na receita de vendas. O crescimento nominal da receita total dos Correios, entre 2010 e 2014, foi de R$ 4,4 bilhões. Só em 2014, a receita de vendas cresceu 8,4 %, passando de R$ 15,4 bilhões em 2013 para R$ 16,6 bilhões em 2014. A receita total cresceu 6,2%, passando de R$ 16,6 bilhões para R$ 17,7 bilhões. A base de clientes com contrato foi ampliada em 8,6%.

Essa situação é muito diversa de outros operadores postais de mesmo tamanho que os Correios. Em 2014, por exemplo, o operador postal indiano registrou prejuízo de US$ 868 milhões e o dos Estados Unidos, prejuízo de US$ 5,5 bilhões.

PERGUNTA: Houve revisão do resultado de 2013 para um prejuízo? De quanto e por que?

RESPOSTA: Sim. A revisão ocorreu para atender normas internacional de contabilidade. O balanço passou a considerar, no exercício, o benefício pós-emprego – que antes não era considerado. Com isso, o resultado 2013 passou a ser de cerca de R$ 300 milhões negativos.

Ressaltamos que, com a revisão, o balanço dos Correios foi aprovado sem ressalvas pela auditoria externa independente, quando chegou a ter 12 ressalvas em 2010.

PERGUNTA: Qual o impacto que o congelamento das tarifas não concorrenciais teve no resultado financeiro de 2014? É da ordem de R$ 484 milhões? Por que o governo impediu o reajuste? Foi um erro, dado o baixo impacto na inflação?

RESPOSTA: Caso tivesse ocorrido em 2014, o realinhamento das tarifas postais renderia R$ 482 milhões de acréscimo na receita do ano. Não cabe aos Correios fazer avaliações a respeito das decisões do Ministério da Fazenda.

Ressaltamos que em 2015 houve aprovação do realinhamento das tarifas, o que recompôs a defasagem até dez/2014.

PERGUNTA: O Postalis tem um déficit técnico que está sendo cobrado dos funcionários e da ECT. Não é uma contradição a ECT desprovisionar a dívida com o Postalis neste momento em que a fundação vive um momento financeiro difícil, em parte provocada pela gestão de executivos indicados pela própria ECT?

RESPOSTA: Os Correios suspenderam o pagamento da dívida por determinação de órgãos de externos.

A atual situação deficitária do plano BD Saldado do Postalis decorre, em grande parte, de:

- características de constituição do plano (a principal característica do plano é ter definido previamente o valor do benefício a ser pago aos participantes independentemente do valor das contribuições realizadas; o plano possui hoje cerca de 100 mil participantes ativos, aposentados e pensionistas, mas há dez anos não aceita novos participantes).

- resultados insuficientes de investimentos realizados antes de 2011, à revelia do instituto, por administradores contratados. O Postalis tem ações em curso na Justiça visando à recuperação de todos os ativos que deram prejuízo, com decisões favoráveis até o momento.

Lembramos que os fundos de pensão estão sujeitos à variação dos mercados financeiros. Assim, é possível e normal que os participantes enfrentem ganhos ou perdas em determinados períodos — o que ocorreu com a maior parte dos investimentos realizados em períodos anteriores a 2011.

PERGUNTA: Por que os Correios optaram pela operação direta do plano de assistência médica Postal Saúde? Esse custo é compatível com a qualidade da assistência?

RESPOSTA: Não está entre as atividades de correios realizar gestão de plano de saúde. Por isso foi criada a Postal Saúde, uma caixa de assistência à saúde no formato de auto-gestão.

O novo modelo de gestão atende à legislação e às exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além de ter implantado padrões de controle eficientes e promovido a melhoria da qualidade de assistência.

PERGUNTA: O crescimento do número de reclamações na área de encomendas expressas, que ultrapassaram 1 milhão só no mês de dezembro, é um sinal de problemas operacionais e de gestão?

RESPOSTA: Não. O dado correto a ser considerado pela população brasileira é que, em 2014, o percentual de reclamações sobre o tráfego de objetos registrados no País foi inferior a 0,1%. Somente em um dia, os Correios entregam 36 milhões de cartas e encomendas em todo o Brasil.

PERGUNTA: Em 2011, o sr. Pinheiro assumiu os Correios com a tarefa de saneá-la e acabar com as indicações políticas que resultaram em escândalos de corrupção, como o que detonou o mensalão em 2005. Que medidas foram tomadas para reduzir a influência política e modernização da companhia?

RESPOSTA: Em 2011 os Correios passaram a contar com um novo Estatuto Social, que teve a inclusão de critérios para a nomeação de membros da Diretoria-Executiva da empresa, o que antes não existia. Hoje, para designação, é preciso ter reputação ilibada e formação em nível superior em instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação ou ter exercido, comprovadamente, função compatível. Com o novo estatuto, os Correios passaram a adotar ferramentas de gestão compatíveis com as das S.A., o que aumentou a transparência e o controle.

Para a modernização da companhia, houve retomada da capacidade de investimentos (em 2010, a execução do orçamento de investimento foi de 40% e passou a cerca de 80% nos últimos anos). Desde 2011, foram investidos quase R$ 2 bilhões em unidades, veículos, equipamentos, computadores e infraestrutura e mais de 20 mil novos trabalhadores foram contratados por concurso público.

Essas medidas visam preparar a empresa para a atuação em novos segmentos de negócios (internacionalização, logística integrada, serviços postais eletrônicos), conforme autorização legal concedida em 2011 para a revitalização da estatal. Já há memorandos de entendimentos fechados com parceiros estratégicos e os Correios aguardam apenas aprovação de órgãos externos para o início das novas atividades.

PERGUNTA: Sindicatos e associações de funcionários dos Correios apontam um aparelhamento dos principais cargos da ECT com a indicação de nomes ligados ao PT ou à CUT, origem do sr. Wagner Pinheiro. Como ele responde à acusação de ter alterado normas internas para permitir a nomeação de executivos que não são funcionários da ECT para cargos de confiança, como as vice-presidências, assessorias especiais e diretorias regionais, especialmente com nomes ligados ao PT e sindicatos?

RESPOSTA: Não procede. Filiação partidária ou sindical não são critérios para designação — essa informação sequer consta da ficha funcional dos empregados.

Todos os Diretores Regionais dos Correios são funcionários de carreira da empresa, muitos deles com mais de 30 anos de serviço, e as designações ocorreram conforme critérios previstos nos normativos internos, atendendo requisitos de educação formal, experiência, desempenho e análise de perfil.

A alteração no regulamento realizada em 2011 permitiu aos Correios receber servidores concursados, cedidos pela administração pública. A alteração equiparou os Correios a outros órgãos da administração pública, onde a cessão de funcionários é normal. Os Correios cedem hoje 360 empregados para outros órgãos e possuem cerca de 20 servidores públicos cedidos de outros órgãos em seu quadro.

Conforme já informado, no caso dos vice-presidentes, a alteração no Estatuto incluiu critérios para a nomeação, o que antes não existia.

PERGUNTA: Segundo denúncias dos trabalhadores, pelo menos 18 dos diretores regionais da ECT são filiados ao PT, sendo alguns deles funcionários sem qualificação para tais cargos, como carteiros e atendentes. Isso é verdade? Há um critério político para preencher esses cargos?

RESPOSTA: Não há critério político para designação de diretores regionais. Todos os Diretores Regionais dos Correios são funcionários de carreira da empresa, muitos deles com mais de 30 anos de serviço, e as designações ocorreram conforme critérios previstos nos normativos internos, atendendo requisitos de educação formal, experiência, desempenho e análise de perfil.

PERGUNTA: Em 2014, o sr. Wagner Pinheiro e diretores regionais dos Correios foram flagrados em campanha aberta pela reeleição da presidente Dilma, no que foi denunciado por entidades de funcionários como uma pressão indevida sobre os trabalhadores. Houve algum tipo de investigação interna sobre uso abusivo da máquina dos Correios nas eleições? Que consequências houve?

RESPOSTA: Não houve uso dos Correios nas eleições. A participação de funcionários dos Correios na campanha ocorreu sempre dentro da lei: fora do horário de expediente, fora das instalações da empresa e sem o uso de recursos públicos.

As denúncias infundadas foram investigadas por órgãos de controle, com total cooperação dos Correios, sem comprovação de qualquer irregularidade. A empresa inclusive moveu processo na Justiça contra essas falsas acusações.

PERGUNTA: O senhor Wagner Pinheiro é o responsável pela indicação de Antonio Carlos Conquista para a direção do Postalis e de Sérgio Francisco da Silva para o Postal Saúde. Qual é a posição dele  sobre as suspeitas de fraudes nas duas entidades?

RESPOSTA: Os Correios desconhecem denúncias de suspeitas de fraudes nas entidades citadas durante a gestão de Antonio Carlos Conquista e de Sergio Francisco da Silva. Solicitamos que tais suspeitas sejam detalhadas, para que a empresa possa se posicionar.

PERGUNTA: Os funcionários dos Correios, notadamente os carteiros, estão entre os mais mal pagos do funcionalismo público. Por que? O que a direção planeja para melhorar a remuneração desses profissionais?

RESPOSTA: Não procede. Os empregados dos Correios vêm sendo valorizados. O acordo coletivo de trabalho 2014-2015 trouxe diversos benefícios para todas as categorias e o reajuste, em forma de gratificação de incentivo à produtividade, representou um aumento de quase 20% sobre o salário base dos carteiros. O reajuste médio dos empregados dos Correios no período 2011-2014 foi de 36% (sendo até maior para os carteiro), para uma inflação de 27,3% no mesmo período.

Além disso, os carteiros dos Correios recebem inúmeros benefícios, como vale-alimentação/refeição + cesta de cerca de R$ 1.000 mensais, adicionais de atividade, plano de saúde, auxílio creche/babá, bolsas de estudo, vale-cultura etc. Assim, a remuneração inicial do carteiro chega a cerca de R$ 2 mil e a dos funcionários de nível superior, a cerca de R$ 5 mil.

Prova de que a carreira nos Correios é uma das mais atrativas do Brasil foi o número de inscritos do último concurso público: mais de 1 milhão de pessoas se inscreveram para concorrer a 9.190 vagas.

01/06/2015